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segunda-feira, 25 de maio de 2009

VOCABULÁRIO DO ROTEIRISTA - Jorge Machado (org.)

A

AÇÃO - Termo usado para descrever a função do movimento que acontece frente à câmara.AÇÃO DIRETA - Roteiro que obedece à ordem cronológica.
AÇÃO DRAMÁTICA - Somatório da vontade do personagem, da decisão e da mudança.
ADAPTAÇÃO - Passagem de uma história de uma linguagem para outra. Assim, um conto pode ser adaptado para ser filmado como um longa metragem ou um seriado para televisão.
ÂNGULO ALTO - Enquadramento da imagem com a câmara focalizando a pessoa ou o objeto de cima para baixo.
ÂNGULO BAIXO - Enquadramento da imagem com a câmara focalizando a pessoa ou o objeto de baixo para cima.
ÂNGULO PLANO - Ângulo que apresenta as pessoas ou objetos filmados num plano horizontal em relação à posição da câmara.
ANTECIPAÇÃO - A capacidade que tem a platéia de antecipar uma situação. Criação de uma expectativa.
ANTIPATIA - Reação ao personagem.
ARGUMENTO - Percurso da ação, resumo contendo as principais indicações da história, localização, personagens. Defesa do desenrolar da história. Tratando-se
de telenovela, chama-se sinopse. Não confundir com story-line que é o resumo resumido.
ÁUDIO - A porção sonora de um filme ou programa de tv.
C

CÂMARA OBJETIVA - Posicionamento da câmara quando ela permite a filmagem de uma cena do ponto de vista de um público imaginário.
CÂMARA SUBJETIVA - Câmara que funciona como se fosse o olhar do ator. A câmara é tratada como "participante da ação", ou seja, a pessoa que está sendo filmada olha diretamente para a lente e a câmara representa o ponto de vista de uma outra personagem participando dessa mesma cena.
CAPA - Folha do rotei4 que contém o título, nome do autor, etc.
CENA - Unidade dramática do rotei4, seção contínua de ação, dentro de uma mesma localização. Seqüência dramática com unidade de lugar e tempo, que pode ser "coberta" de vários ângulos no momento da filmagem. Cada um desses ângulos pode ser chamado de plano ou tomada.
CENA MASTER - É a filmagem em um único plano de toda a ação contínua dentro do cenário. A cena master dá ao Diretor a garantia dele ter "coberto" toda a ação numa só tomada.
CENAS DO PRÓXIMO CAPÍTULO - Pistas, indícios do que está para acontecer, pequenas revelações do encaminhamento da ação. Essas pequenas insinuações constituem verdadeiro trunfo das emissoras de TV, pois servem para prender o telespectador à narrativa. O recurso foi ignorado na década de 60: o seu aproveitamento iniciou-se na década de 70, sendo novamente abandonado nos anos 90. Os antigos folhetins costumavam, também, insinuar o que estava para acontecer, ao suspenderem a narração escrita.
CENOGRAFIA - Arte e técnica de criar, desenhar e supervisionar a construção dos cenários de um filme.
CHICOTE - Câmara corre lateralmente durante a filmagem de uma determinada cena, deslocando rapidamente a imagem.
CLAQUETE - Quadro usado para marcar cenas e tomadas e cujo som, na montagem, serve como ponto para sincronização de som e imagem.
CLICHÊ - Cacoetes verbais. Uso repetitivo e enfadonho de diálogos e soluções cênicas em qualquer tipo de produção artística.
CLÍMAX - Ponto culminante da ação dramática.
"CLOSE-UP" - Plano que enfatiza um detalhe. Primeiro plano ou plano de pormenor. Tomando a figura humana como base, este plano enquadra apenas os ombros e a cabeça de um ator, tornando bastante nítidas suas expressões faciais.
COMPILAÇÃO - Tipo de montagem onde a imagem do filme passa a ser uma "ilustração" da narração.
COMPOSIÇÃO - Características psicológicas, físicas e sociais que formam um personagem (composição da imagem/tipologia).
CONFLITO - Embate de forças e personagens, através do qual a ação se desenvolve.
CONSTRUÇÃO DRAMÁTICA - Realização de uma estrutura dramática.
CONTINUIDADE - Seqüência lógica que deve haver entre as diversas cenas, sem a qual o filme torna-se apenas uma série de imagens, com pulos de eixo, ação e tempo. Há diversos tipos de continuidade: de tempo, de espaço, direcional dinâmica, direcional estática, etc.
CONTRACAMPO - Tomada efetuada com a câmara na direção oposta à posição da tomada anterior.
CONTRASTE - Criação de diferenças explícitas na iluminação de objetos ou áreas.
CORTE - Passagem direta de uma cena para outra dentro do filme.
CORTE DE CONTINUIDADE - Corte no meio de uma cena, retomando logo a seguir a mesma cena em outro tempo.
CRÉDITOS - Qualquer título ou reconhecimento à contribuição de pessoas ao filme. Relação de pessoas físicas e jurídicas que participam da - ou contribuem para a - realização de um produto audiovisual. Geralmente, é mostrada no final da produção.
CRISE DRAMÁTICA - Ponto de grande intensidade e mudanças da ação dramática.
CURVA DRAMÁTICA - Variação da intensidade dramática em relação ao tempo.
CUT-AWAY CLOSE-UP - Este conceito só tem significado dentro do contexto da montagem. É uma tomada em close-up de uma ação secundária que está desenvolvendo-se simultaneamente em outro lugar, mas que tem uma relação direta com a ação principal. O cut-away close-up deve ser montado entre duas tomadas da ação principal.
CUT-IN CLOSE-UP - Como o item acima, este conceito só tem significado no contexto da montagem. É uma tomada em close-up de uma parte importante da ação principal, e que deve ser montada entre duas tomadas normais dessa ação.

D

DECUPAGEM - Planificação do filme definida pelo diretor, incluindo todas as cenas, posições de câmara, lentes a serem usadas, movimentação de atores,
diálogos e duração de cada cena.
DESFOCAR - Câmara muda o foco de um objeto para outro.
DIÁLOGO - Corpo de comunicação do roteiro. Discurso entre personagens.
DISSOLVE - Imagem se dissolve até o branco ou se funde com a outra.
DIVISÃO DO QUADRO - Registro fotográfico de duas ou mais imagens distintas em um mesmo fotograma.
DOLLY - Veículo que transporta a câmara e o operador, para facilitar a movimentação durante as tomadas.
"DOLLY BACK" - Câmara se afasta do objeto. Travelling ou grua de afastamento.
"DOLLY IN" - Câmara se aproxima do objeto. Travelling ou grua de aproximação.
"DOLLY OUT" - Câmara recua, abandona a cena.
"DOLLY SHOT" - Movimento de câmara que se caracteriza por se aproximar e se afastar do objetivo, e também por movimentos verticais.
DUBLAGEM - Inclusão de diálogo, narração, canto, etc. sobre a imagem filmada anteriormente.

E

EIXO DE AÇÃO - Linha imaginária traçada exatamente no mesmo itinerário de um ator, de um veículo ou de um animal em movimento. É também a linha imaginária que interliga os olhares de duas ou mais pessoas paradas em cena.
ELENCO - Conjunto de pessoas (atores, atrizes, figurantes) selecionados para uma produção, que representam as personagens e fazem a figuração de um filme.
ELIPSE - Passagem muito rápida de tempo.
EMISSOR - Quem transmite a mensagem no processo de comunicação.
EMPATIA - Identificação do público com o personagem.
ENCADEADO - Fusão de duas imagens, uma sobrepondo-se à outra.
ENQUADRAMENTO - Limites laterais, superior e inferior da cena filmada. É a imagem que aparece no visor da câmara.
ENTRECORTES - Tomadas da ação principal ou de uma ação secundária (ligada direta ou indiretamente à ação principal), que permitem uma montagem mais flexível em termos de continuidade.
EPÍLOGO - Cenas de resolução.
EPÍSTOLA - Técnica narrativa (narrativa epistolar), que consiste em abrir uma obra com uma carta em que o autor se dirige a um amigo seu, a fim de relatar uma história pretensamente verídica. Este recurso foi largamente utilizado pelos autores românticos (José de Alencar, por exemplo, entre nós) e, por sua vez, foi inspirado em narradores do século XVIII (Richardson, Goethe, Rousseau), que abusavam do estratagema, fazendo com que seus romances se constituíssem inteiramente em troca de cartas entre as diversas personagens.
ESFUMAR - A imagem dissolve-se na cor branca ou funde-se com outra.
ESPELHO - Página de rotei4, geralmente de abertura, contendo informações como personagens, cenários, locações, etc.
ESTRUTURA - Fragmentação do argumento em cenas, arcabouço da seqüência de cenas.
"ETHOS" - Ética, moral da história.
EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS - Cenas de informações, explicativas.
EXTERNAS - Cenas filmadas nas praças, ruas, parques, campos, estádios, rodovias, enfim, ao ar livre.
EXTRAS - São os figurantes de um filme: pessoas contratadas para desempenhar papéis secundários, como os componentes de uma multidão.

F

"FADE IN" - O surgir da imagem a partir de uma tela escura ou clara, que gradualmente atinge a sua intensidade normal de luz..
"FADE OUT" - Escurecimento ou clareamento gradual da imagem partindo da sua intensidade normal de luz.
FICÇÃO - Inventar, compor e imaginar. Recriação do real.
"FLASH-BACK" - Cena que revela algo do passado, para lembrá-lo, situar ou revelar enigmas.
"FLASH-FORWARD" - Cena que revela parcialmente algo que acontecerá após o tempo presente. O mesmo que flash para frente.
FOLHA DE ROSTO - Página de rotei4 contendo informações de título, nome do autor, etc.
FOLHETIM - Longa história parcelada, desenrolando-se segundo vários trançamentos dramáticos, apresentados aos poucos. É a origem histórica das telenovelas. O vocábulo vem do termo francês feuilleton e designava uma seção específica dos jornais franceses da década de 1830 - o rodapé -, introduzida pelo jornalista Émile de Girardin, que aproveitou o gosto do público pelo romance como chamariz para vendas maiores. A peculiaridade do folhetim residia na exploração de histórias repletas de peripécias, com um sem-número de personagens, às voltas com temas que iam desde a orfandade, casamentos desfeitos por tramas diabólicas, raptos, até vinganças altamente elaboradas, testamentos perdidos e recuperados, falsas identidades, etc. O mais famoso folhetim - e mais aproveitado posteriormente pelo cinema e pela televisão - foi O conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas. O mais extraordinário e mais bem elaborado foi a obra-prima Os mistérios de Paris de Eugène Sue.
FOLHETIM EXÓTICO - Diz-se do folhetim que, via de regra, tem sua ação situada em lugares distantes, exóticos, suscitando uma atmosfera misteriosa. Caso, por exemplo de narrativas localizadas no Oriente, como a novela O sheik de Agadir.
FOLHETIM MELODRAMÁTICO - Narrativa excessivamente maniqueísta, em que os personagens encarnam o Bem, ou o Mal, não havendo meios-termos: característica, enfim do melodrama, gênero teatral do início do século XIX. O Mal, no melodrama, tem sempre forma concreta, personificando-se num indivíduo propositadamente mau, o vilão. Do outro lado, encarnando o Bem, estão outros indivíduos, sempre virtuosos, procurando provar, a qualquer custo, a verdade.
FOTONOVELA - Ver Novela.
"FREEZE" - Manter uma mesma imagem por repetição de quadro. Congelar.
FULL SHOT - Ver long shot.
FUSÃO - Fusão de duas imagens, a 1ª sobrepondo-se à 2ª. Serve para mudar de cena ou enfatizar a relação entre elas

G

GANCHO - Momento de grande interesse que precede a um comercial. Pequenos ou grandes clímax, arranjados de modo tal que não permitam que o telespectador abandone a história. Na exibição diária de telenovelas, há três ganchos de menor grau - pausas para comerciais -, e um de maior grau, para o dia seguinte. Aos sábados, ocorre o "gancho do diálogo" ou " grande break", pois haverá a pausa de domingo, quando não se exibe as histórias. O " grande break" sempre será um momento de alto suspense e pensado calculadamente para o retorno da segunda-feira.
"GIMMICK" - Recurso usado para resolver uma situação problemática. Reversão de expectativa.
GUERRA DO PAPEL - Momento de discussão e análise, depois da escrita do primeiro roteiro.

H

HALO DESFOCADO - Câmara desfoca as coisas em torno do objeto, mantendo-o em foco.
I

IDÉIA - Semente da história, idéia primeira.
INDICAÇÕES - Anotações sobre a cena, o estado de ânimo, etc.
"INSERT" - Imagem breve, rápida e quase sempre inesperada que lembra momentaneamente o passado ou antecipa algum acontecimento. Os inserts podem ser variados ou repetidos, estes servindo, às vezes, de plot, o núcleo dramático ou algo que o simbolize.
INTENÇÃO - Vontade implícita ou explícita do personagem.
L

LOCALIZAÇÃO - Localização de uma história no espaço.
LOCUÇÃO EM OFF - Texto que acompanha a ação do filme, pronunciado por um locutor ou locutora que não aparecem em cena. O mesmo que off.
"LOGOS" - Palavra, discurso, estrutura verbal de um roteiro.
"LONG SHOT" - "Full shot", plano geral; plano que inclui todo o cenário. É usado para mostrar um grande ambiente.
"LOOP" - Segmento de filme, cortado e separado para montagem. Fita ou aro de película

M

MACROESTRUTURA - Estrutura geral do roteiro.
MANIQUEÍSMO - Princípio filosófico segundo o qual o universo foi criado e é dominado por dois princípios antagônicos: Deus ou o Bem absoluto, e o Mal absoluto, ou o Diabo. A partir desse princípio, aplica-se o termo à cosmovisão que enxerga o mundo à luz dessa dualidade.
MEIO - Instrumento de transmissão da mensagem.
MENSAGEM - Sentido político, social, filosófico ou qualquer outro que uma história pode conter. Quase a moral da história, das fábulas.
MICROESTRUTURA - Estrutura de cada cena.
MINISSÉRIE - Obra fechada, com vários plots que se desenrola durante um número de episódios, geralmente não superior a dez.
MOVIOLA - Máquina usada para a edição e montagem de filmes ou vídeo.
MUDANÇAS DE EXPECTATIVAS - Quando o curso da história muda de repente.
"MULTIPLOT" - Várias linhas de ação, igualmente importantes, dentro de uma mesma história.

N

NOITE AMERICANA - Técnica de iluminação e filtragem utilizada utilizada para simular um efeito noturno numa imagem filmada durante o dia.
NOVELA - Obra aberta, com multiplot.
NOVELA DENTRO DA NOVELA - Simultaneidade narrativa superpondo tempos. O exemplo mais bem-acabado desta técnica foi a telenovela O casarão, de Lauro César Muniz, enfocando cinco gerações de uma família estabelecida ao norte de São Paulo, na fase áurea do café. Um casarão de fazenda colonial foi o centro gerador da história, desde que foi construído, em 1900, até a modernidade, em 1976. Outro exemplo é Espelho mágico, do mesmo autor, onde, além da história propriamente dita (a vida dos astros e estrelas no cotidiano), há ainda a gravação de uma novela, Coquetel de amor, encenada pelos astros da primeira história, e a montagem da peça teatral Cyrano de Bergerac, de Edmond Rostand.
NOVELÃO - Nome pejorativo, análogo a dramalhão, que conota a telenovela repleta de conflitos sentimentais, com muita recorrência à emoção fácil. O mesmo que telelágrima.
NÚCLEO DRAMÁTICO - Reunião de personagens ligados entre si pela mesma ação dramática, organizados num "plot".

O

OBJETIVO DRAMÁTICO - A razão da existência de uma cena.
OBJETOS DE CENA - São todos os itens utilizados para decoração do cenário: cinzeiros, vasos, telefones, objetos de arte, etc.
"OFF" - Vozes ou sons presentes sem se mostrar a fonte emissora.
OLIMPIANO - Adjetivo usado por Edgar Morin (Cultura de massas no século XX) para designar a categoria sagrada dos campeões, príncipes, reis, astros de cinema, playboys, artistas célebres. Diz Morin: "o olimpismo de uns nasce do imaginário, isto é, dos papéis encarnados nos filmes (astros); o de outros nasce de sua função sagrada (realeza, presidência), de seus trabalhos heróicos (campeões, exploradores) ou eráticos (playboys).

P

PANORÂMICA - (pan) Câmara que se move de um lado para outro, dando uma visão geral do ambiente, mostrando-o ou sondando-o.
PASSAGEM DE TEMPO - Artifício usado para mostrar que o tempo passou.
"PATHOS" - Drama, conflito.
PERCURSO DA AÇÃO - Conjunto de acontecimentos ligados entre si por conflitos que vão sendo solucionados através de uma história.
PERIPÉCIA - O mesmo que incidente, aventura. Excesso de ação, recurso marcadamente usado em telenovelas, em folhetins, no melodrama, na radionovela. O romance romântico abusou da peripécia: aí alguns críticos apontam a causa maior de seu sucesso junto ao público feminino, no século XIX.
PERSONAGEM - Quem vive a ação dramática.
PING-PONG - Tipo específico de montagem onde duas imagens semelhantes, em termos de ângulo, tamanho e posicionamento dentro do quadro, se alternam regularmente; mantendo a unidade da cena.
PLANO AMERICANO - Plano que enquadra a figura humana da altura dos joelhos para cima.
PLANO DE CONJUNTO - Plano um pouco mais fechado do que o plano geral.
PLANO DE DETALHE - Mostra apenas um detalhe, como, por exemplo, os olhos
do ator, dominando praticamente todo o quadro.
PLANO GERAL - Plano que mostra uma área de ação relativamente ampla.
PLANO MÉDIO - Plano que mostra uma pessoa enquadrada da cintura para cima.
PLANO PRÓXIMO - Enquadramento da figura humana da metade do tórax para
cima.
"PLOT" - Dorso dramático do rotei4, núcleo central da ação dramática e seu gerador. Segundo os teóricos literários, uma narrativa de acontecimentos, com a ênfase incidindo sobre a causalidade. Em linguagem televisual, todavia, o termo é usado como sinônimo do enredo, trama ou fábula: uma cadeia de acontecimentos, organizada segundo um modo dramático escolhido pelo autor. Em uma história multiplot, o plot principal será aquele que, num dado momento, se mostrar preferido pelo público telespectador.
PONTES - Tomadas escolhidas para interligar duas cenas que não poderiam ser montadas seguidamente. As pontes ajudam a resolver problemas de continuidade do filme.
PONTO DE IDENTIFICAÇÃO - Relação convergente entre platéia e ação dramática.
PONTO DE PARTIDA - Conjunto de cenas iniciais que abre um espetáculo.
PONTO DE VISTA - Câmara situada na mesma altura do olho do ator, vendo o ambiente como este. No geral, intensifica a dramaticidade do roteiro. Durante o ataque de uma assassino o ponto de vista da vítima pode ver mãos enluvadas avançando em sua direção. Isso é mostrado com as mãos avançando em direção à lente da câmara.
PREPARAÇÃO - Cenas que antecipam uma complicação (e/ou clímax).
PRIMEIRO PLANO - Posição ocupada pelas pessoas ou objetos mais próximos à câmara, à frente dos demais elementos que compõem o quadro.
"PROCESS SHOT" - Truque usado para fingir movimento. Uma cena pré-filmada é projetada atrás dos atores.

Q

"QUICK MOTION" - Câmara rápida. Movimento acelerado.

R

RECEPTOR - Quem recebe uma mensagem no processo de comunicação.
REPETIÇÃO - (usada em comédia) O rotei4 repete situações dramáticas conhecidas
da platéia.
RESOLUÇÃO - Final da ação dramática.
RETROPROJEÇÃO - Técnica de filmagem onde se projeta uma determinada imagem em uma tela colocada à frente do projetor, para que essa imagem possa servir de fundo para a cena que está desenvolvendo-se do outro lado da tela.
REVERSÃO DE EXPECTATIVAS - Quando se transforma, com surpresa, o curso da história.
RITMO - Cadência de um roteiro. Harmonia.
ROTEIRO - Forma escrita de qualquer espetáculo audiovisual. Descrição objetiva das cenas, seqüências, diálogos e indicações técnicas do filme.
ROTEIRO FINAL - Roteiro aprovado para o início da filmagem ou gravação.
ROTEIRO LITERÁRIO - Roteiro que não contém indicações técnicas.
ROTEIRO TÉCNICO - Roteiro contendo indicações referentes a câmara, iluminação, som, etc.
RUBRICA - Indicação de cena, informações de estado de ânimo, gestos, etc. Observação entre parênteses nos diálogos, indicando a reação dos personagens, bem como mudanças de tom e pausas.

S

"SCREENPLAY" - Roteiro para cinema.
"SCRIPT" - Roteiro quando entregue à equipe de filmagem. Plano completo de um programa, tanto em cinema quanto em televisão. É o instrumento básico de apoio para a direção e produção, pois contém as falas, indicações, marcas, posicionamentos e movimentação cênica, de forma genérica e detalhada. Expressa as idéias principais do autor, do produtor e do diretor a serem desenvolvidas pela equipe que o realiza.
SEQÜÊNCIA - (1) Uma série de tomadas (cenas) ligadas por continuidade. (2) A denominação para cena em cinema.
SÉRIE - Obra fechada, com personagens fixas, que vivem uma história completa em cada capítulo.
"SET" - Local de filmagem.
"SHOOTING SCRIPT" - Roteiro feito pelo diretor, a partir do rotei4 final. É usado pela produção.
"SHOT" - Plano. Imagem gravada ou filmada.
SIMPATIA - Solidariedade do público para com a personagem.
SINOPSE - Vista de conjunto. Narração breve que resume uma história. No cinema, é chamada de argumento.
SITCOM - (Comédia de situação) - Série fechada de humor, normalmente de um só plot.
SOM DIRETO - Som correspondente à ação que está sendo filmada. Em geral, é gravado em aparelho de precisão, sincronizado com a câmara.
SOM GUIA (OU PLAYBACK) - É a reprodução do som já gravado anteriormente, durante a filmagem, permitindo um sincronismo entre as ações (falas e/ou movimentos) do elenco com a própria gravação.
"SLOW MOTION" - Câmara lenta. Movimento retardado.
"SPLIT SCREEN" - Imagem partida na tela, mostrando dois acontecimentos separados ao mesmo tempo. Recurso muito usado em telefonemas.
"STORY-BOARD" - Série de desenhos em seqüência das principais cenas ou tomadas.
"STORY-LINE" - Síntese de uma história.
"SUBPLOT" - Linha secundária de ação.
SUBTEXTO - Sentido implícito nas entrelinhas.
SUPERCLOSE - Plano muito próximo que mostra, por exemplo, somente a cabeça de um ator, dominando praticamente toda a tela.
SUSPENSE - Antecipação urgente. Diálogo ou ação que faz prever algo chocante, temível, emocionante ou decisivo.

T

"TAKE" - Tomada; começa no momento em que se liga a câmara até que é desligada. É o parágrafo de uma cena.
TELEGRAFAR - Breve informação que se dá sobre alguma coisa que vai acontecer.
"TELEVISIONPLAY" - Roteiro para televisão.
TEMPO DRAMÁTICO - Tempo estético, cadência.
TEMPORALIDADE - Localização de uma história no tempo.
TILT - Movimentação da câmara no sentido vertical, sobre o seu eixo horizontal.
TOMADA - Filmagem contínua de cada segmento específico da ação do filme.
TOTALIDADE - Princípio básico da unidade.
"TRAVELLING" - Câmara em movimento na dolly acompanhando, por exemplo, o andar dos atores, na mesma velocidade. Também, qualquer deslocamento horizontal da câmara.

V

VALORES DRAMÁTICOS - Pontos-chave de um roteiro.
VARRIDO - A câmara corre, mudando a imagem de lugar rapidamente. O mesmo que chicote.

Z

"ZOOM" - Efeito óptico de aproximação ou distanciamento repentino de personagens e detalhes. Serve para dramatizar ou esclarecer lances do roteiro.
ZOOM-IN - Aumento na distância focal da lente da câmara durante uma tomada, o que dá ao espectador a impressão de aproximação do elemento que está sendo filmado.ZOOM-OUT - Diminuição da distância focal da lente durante uma tomada, o que dá ao espectador a impressão de que está se afastando do elemento que está sendo filmado.

GUIA DOS FORMATOS DE VÍDEOS DISPONÍVEIS NA WEB

Navegando por vários sites que disponibilizam vídeos ou usando emule e bittorrent nos deparamos com uma infinidade de arquivos de vídeo com as mais diversas extensões (.divx, .mov, etc). Esses arquivos tem diferentes formatos e tamanhos e a qualidade de audio e vídeo varia dependendo da fonte de captação desses vídeos. Então, para quem tem dúvida de o que é que é dos arquivos de vídeo, postei abaixo um guia rápido e claro sobre o assunto:

DVDRip
Uma cópia do lançamento final do DVD. Se possível, é lançado na internet antes mesmo do DVD de venda e/ou aluguel ser lançado. A qualidade deve ser excelente. DVDrips são lançados em SVCD e DivX/XviD.

PDTV/HDTV
Os PDTV são capturados de uma TV com cartão PCI DIGITAL, normalmente gerando os melhores resultados. Muitas vezes vemos o rip rotulado como HDTV também, mas as diferenças entre esses dois termos são apenas técnicas. Os grupos costumam lançar em SVCD, apesar de rips em VCD/SVCD/DivX/XviD serem aceitos nos rips de TV.

R5
R5 se refere a um formato específico de DVD região 5. Em um esforço para competir com a pirataria, a indústria decidiu criar esse novo formato que é produzido mais rápido e mais barato do que os tradicionais DVDs. O que os difere dos DVDs tradicionais é que os R5 são tranferidos diretamente de um telecine sem qualquer tipo de processamento de imagem, e sem nenhum adicional. Às vezes os DVDs R5 são lançados sem áudio em inglês, exigindo que os grupos de pirataria usem o áudio de outra fonte. Nesse caso o release possui a descrição ".LINE" para distinguir daqueles que possuem o áudio do original. A qualidade da imagem de um R5 geralmente pode ser comparada com um DVD screener. No final de 2006 alguns grupos como o DREAMLIGHT, mSs e PUKKA passaram a nomear seus Releases de ".R5" e sugeriram a outros grupos que fizessem o mesmo.

DVD-SCREENER (DVDscr)
Mesmas condições do screener, mas com uma fonte de DVD. Normalmente com letterbox (faixas pretas), mas sem os extras que o DVD final (de venda e/ou aluguel) possa ter. O ticker não costuma ficar nas faixas pretas, e pode atrapalhar a visão. Se o ?ripador? tiver o mínimo de conhecimento, um DVDscr deve sair muito bom. Normalmente passado pra SVCD ou DivX/XviD.
OBS:
Até aqui, a qualidade é muita boa. Nunca notei diferença de qualidade no vídeo entre os citados acima. As únicas coisas dignas de nota são:
1- Alguns DVD-SCREENER vêm com uma marca d'água chata, geralmente da produtora do filme. Ou então, com o contador de tempo do filme. Em alguns releases, essas marcas são "maquiadas" através de efeitos blur.
2- Alguns R5 vêm com o audio ruim, apesar de a qualidade de vídeo ser sempre perfeita. Isso acontece porque alguns dos releases não têm o áudio original em inglês, necessitando uma fonte externa de áudio.

TELECINE (TC)
Uma máquina de telecine copia o filme digitalmente dos rolos. O som e a imagem costumam ser muito bons, mas devido ao equipamento e custos envolvidos, os telecine são muito raros. Geralmente o filme estará com o aspect ratio (proporção) correto, apesar de existirem telecine de 4:3 (tela cheia). TC não deve ser confundido com TimeCode , que é um contador visível e fixo durante todo o filme.

TELESYNC (TS)
Um telesync tem as mesmas características de um CAM, só que usa uma fonte externa de áudio (normalmente um fone de ouvido na poltrona para pessoas que não ouvem bem). Uma fonte de áudio direto não garante uma boa qualidade de áudio, pois muitos barulhos podem interferir. Muitas vezes um telesync é filmado em um cinema vazio ou da cabine de projeção com uma câmera profissional, gerando uma melhor qualidade de imagem. A qualidade varia muito, por isso veja um sample (amostra) antes de baixar o filme por completo. A maior parte dos Telesyncs são CAMs que foram rotuladas de forma errada.

CAM
O CAM é um "rip" feito no cinema, normalmente com uma câmera digital. Às vezes é usado um tripé, mas na maioria das vezes isso não é possível, deixando a filmagem tremida. Devido aos lugares disponíveis no cinema também não serem sempre no centro, pode ser filmado com ângulos diferentes. Se cortado (cropped) adequadamente, é difícil diferenciar, a não ser que tenha legendas na tela, mas muitas vezes os CAM são deixados com bordas pretas na parte de cima e de baixo da tela. O som é gravado com o microfone embutido da câmera e, especialmente em comédias, risadas são ouvidas durante o filme. Devido a esses fatores, a qualidade de som e imagem costumam ser muito ruins, mas as vezes, com sorte, o cinema está quase vazio e apenas baixos ruídos serão ouvidos.

SVCD
SVCD é baseado em MPEG-2 (como no DVD), que permite maiores taxas de variáveis até 2500kbits em uma definição de 480x480 (NTSC), que descomprimida em uma relação de aspecto de 4:3. Devido ao bit-rate variável, o comprimento que você pode ocupar em um único CDR não é fixo, geralmente entre 35-60 min.

VCD
É um formato baseado em MPEG-1, com um bit-rate constante de 1150kbit em uma definição de 352x240 (NTSC). VCD's são usados geralmente para obter de uma qualidade mais baixa com o objetivo de tamanhos menores. VCD's e SVCD's são cronometrados nos minutos e não em MB, assim que ao olhar um, parecer maior do que a capacidade de disco e na realidade pode cabe 74min em um CDR74.

XVCD / XSVCD
Estes são basicamente VCD/SVCD melhorados. São ambos capazes de definições e de melhores taxas, muito mas elevadas. Muito difícil de se encontrar.

KVCD e KSVCD
KVCD é uma modificação ao padrão MPEG-1 e MPEG-2. Habilita criar CDs de 120 minutos com qualidade perto do DVD em CDs de 80 minutos. Porém já existe especificações que geram vídeos de 528x480 (NTSC) e 528x576 (PAL) e MPEG-1 com bitrate variável entre 64Kbps e 3000Kbps. Usando um resolução 352x240 (NTSC) ou 352x288 (PAL), é possível "encodar" vídeos com até 360 minutos com qualidade perto de um VCD num CD de 80 min.

KDVD
Formato de arquivo 100% compatível com MPEG_2, capaz de rodar em qualquer DVD Player Standard. Esta tecnologia habilita 6 horas de filme em Full D-1 720x480 num DVD, ou algo em torno de 10 horas em Half D-1 352x480 no meso DVD.

Expressões encontradas:

PROPER
Devido aos critérios, quem lançar o primeiro Telesync ganhou a corrida (por exemplo!). Mas se a qualidade desse release for ruim, devido alguns problemas na imagem ou som, e outro grupo tem outro telesync (ou a mesma fonte, mas em melhor qualidade) então a expressão PROPER é adicionada para evitar equívocos. PROPER é a expressão mais subjetiva encontrada, e as pessoas geralmente pergutam se o PROPER é melhor que a versão original. Muitos grupos lançam o PROPER em atos de desespero, para não perder a corrida. Um motivo para o PROPER deve ser sempre incluso no .NFO.

UNRATED
Versão sem cortes.(Normalmente os vídeos são editados para conseguir um classificação etária mais ampla nos cinemas, já em DVD são lançados completos)

LIMITED
Um filme limited significa que ele tem um número de exposições em cinemas limitados, normalmente estreando em menos de 250 cinemas. Geralmente filmes pequenos (como filmes de arte) são lançados nesse estilo.

INTERNAL
Um release interno é feito por vários motivos. Grupos clássicos de DVD fazem muito isso, visto que eles não serão trapaceados. Também rips de má qualidade são feitos nesse estilo, para não baixar a reputação do grupo, ou devido ao grande número já existente do filme. Um lançamento interno é disponibilizado normalmente em sites afiliados ao grupo, mas eles não podem ser trocados com outros sites sem a devida permissão. Alguns INTERNALs ainda correm pelo IRC/Newsgroup, dependendo da popularidade. Há alguns anos, o grupo Centropy começou a lançar releases internos, mas num sentido diferente do INTERNAL, isto é, lançava somente para membros do grupo e não o disponibilizavam.

REPACK/RERIP
Se um grupo lança um rip ruim, eles irão re-lançá-lo, o qual virá com os problemas corrigidos.

NUKED
Um rip pode ser "NUKADA", banida por diversas razões. Se o grupo lançar como TeleSyncs, por exemplo, e não tem nada de "TeleSyncs", ou o filme tem uma diferença na qualidade do áudio, outro exemplo, a partir de X minutos de filme. Então o nuke global ocorrerá e o grupo perderá seus créditos. Verifique sempre antes os releases para não pegar algo que foi banido, por má qualidade por exemplo. Se um grupo perceber que há algo errado com uma versão, eles podem requisitar um nuke.

Razões para o NUKE
BAD A/R - Relação de aspecto, distorção do filme. Personagens aparecem muito largos ou finos.
BAD IVTC - Processo de inversão telecine, conversão de framerates está incorreto.
BAD FPS - Não segue o padrão de quadros por segundo vigente.
INTERLACED - Linhas pretas no movimento como a ordem do campo estão incorretas.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A LISTA NEGRA DOS VIDEO NASTIES


A lista mudava sua composição desde que foi publicada pela primeira vez em junho de 1983. Foram 74 títulos e alguns deles deixaram a lista quando os processos falharam ou as distribuidoras faliram. Ao todo 35 filmes inicialmente listados pela DPP que nunca conseguiram um processo favorável e não obtiveram certificação e 39 foram banidos. Por mais de 15 anos muitos destes foram deixados no limbo cinematográfico pelo "ato 1984", que, efetivamente, colocou um fim na lista por força da lei, quando em 1986 todos os filmes lançados não certificados tornaram-se ilegais. Na prática a DPP manteve esta lista até a metade dos anos 90, mas no fim a Video Recordings Act foi perdendo sua função e aos poucos saiu da cena. Com a mudança do regime da BBFC e a facilidade de se conseguir material importado ou baixado pela Internet fez com que muitos destes fossem re-classificados e lançados sem cortes enquanto outros não tiveram a mesma sorte (a maioria por violência sexual ou com animais), mas ao menos não banidos. Curiosamente filmes modernos com teor de violência brutal como JOGOS MORTAIS e O ALBERGUE passaram sem cortes pela BBFC. Abaixo vocês conferem a lista completa com todos os 74 filmes e os seu destino após o ato:

ABSURD (Itália, 1981) - Dirigido por Aristide (Joe D'Amato) Massacessi. A despeito dos cortes da versão de cinema (2 min 32s), o filme recebeu uma classificação "18 anos" da BBFC em 1982 para o cinema e a tentativa da distribuidora Medusa Video em re-inserir os cortes foi banido. Conseguiu a certificação com os cortes originais, mas o filme tem boas chances de passar sem cortes pelo novo regime da BBFC.


ANTHROPOPHAGUS THE BEAST (Itália, 1980) Dirigido por Aristide (Joe D'Amato) Massacessi. Este filme de canibais foi famoso por ter algumas das maiores cargas de gore de qualquer um dos “videos nasties” e foi lançado em vídeo em uma versão cortada e outra sem cortes, ambas foram banidas. Os cortes da versão dos Estados Unidos (aproximadamente 2 min) foram submetidos a BBFC e aprovados em 30 de janeiro de 2002.


AXE (EUA, 1977) Dirigido por Fred Friedel. Este filme obscuro já havia passado com cortes em 1982 para lançamento em cinema. Os cortes foram re-inseridos pela distribuidora VRO video em VHS e acabou banido. O filme saiu da lista da DPP e passou pela BBFC como ‘The California Axe Massacre’ com cortes de 19 segundos em 2001 e sem cortes em 2005.

THE BEAST IN HEAT (Itália, 1977) Dirigido por Luigi Batzella. Uma produção nazi exploitation é conhecida pelo péssimo gosto que beira a sátira, com cenas de um anão ninfomaníaco! A primeira aparição em vídeo foi pelo selo JVI, uma empresa incrivelmente pequena que distribuiu um número limitado de cópias com certificado da Espanha, hahaha! Depois do banimento estas fitas custavam peso de ouro no mercado negro. Ainda banido, é bem provável que jamais seja lançado novamente.

THE BEYOND (Itália, 1981) Dirigido por Lucio Fulci. Desnecessário de introduções, a produção mais famosa do diretor italiano foi lançada em cinema com cortes de 2 minutos pela BBFC e estranhamente foi esta mesma versão, pela Vampix video, que foi banida. Duas versões posteriores (Elephant Video e VIPCO) foram certificadas com ainda mais cortes. Em 31 de Janeiro de 2001 conseguiu uma certificação para ser comercializado sem cortes.

BAY OF BLOOD/BLOODBATH (Itália, 1971) Dirigido por Mario Bava. A notória importância desta produção para o gênero não foi suficiente para sensibilizar os censores quando teve certificação para o cinema rejeitada em 1972. Futuramente a versão em VHS lançada pela Hokushin Video acabou na lista. Uma versão cortada foi aceita em 1994 (Redemption Video) e a mesma edição foi certificada para DVD em 2002.

BLOOD FEAST (EUA, 1963) Dirigido por H. G. Lewis. A película mais velha a figurar na lista também é uma das mais amadoras, apesar do gore característico dos filmes de Lewis e viu a luz do dia pela Astra home video. Estranho pensar que um filme tão amador poderia corromper crianças ou ser depravado o suficiente para ser levado a sério. De qualquer maneira em junho de 2001 conseguiu voltar para as prateleiras com 23 segundos de cortes e em 2005 sem corte algum.

BLOOD RITES (EUA, 1967) Dirigido por Andy Milligan. O filme mais sangrento do diretor Andy Milligan possui atuações terríveis e orçamento próximo do zero, conseguiu as prateleiras pela Scorpio Video, foi perseguido e acabou na lista permanecendo no limbo até os dias de hoje, talvez por causa da pequena importância das distribuidoras atuais em re-submeter a produção para os censores, pois não há muito aqui que poderia causar polêmica na BBFC. Blood Rites ganhou um remake pelo próprio Milligan em 1972 (intitulado Legacy of Blood), tão ruim quanto.BLOODY MOON (Espanha, 1981) Dirigido por Jesus (‘Jess’) FrancoO slasher-giallo vagabundo do espanhol Jess Franco (completo com seus ultra-zooms) foi lançado cortado nos cinemas em 1982 e pela depois pela Inter-Light video nas versões cortadas e sem cortes, esta última acabou na lista da DPP. Bloody Moon foi re-avaliado em 1994 e liberado com 1 minuto e 20 segundos de cortes.

THE BOGEYMAN (EUA, 1980) Dirigido por Ulli Lommel. A mistura de HALLOWEEN e HORROR EM AMITYVILLE, de Lommel, não sofreu cortes nos cinemas no ano de 1980. A mesma edição da VIPCO Vídeo em VHS foi banida. Levado novamente em apreciação no ano de 1992 sofreu cortes e finalmente liberado completo em 2000.

THE BURNING (EUA, 1980) Dirigido por Tony Maylam. A variação de SEXTA FEIRA 13 do diretor Maylan com excelentes efeitos de Tom Savini passou pela tesoura da BBFC para lançamento nos cinemas (19 segundos de cortes). Erroneamente a distribuidora Thorn EMI lançou em VHS a edição completa do filme e esta foi banida, desde então todas as produções da Thorn EMI eram vistas com olhares críticos pelos censores. Passou sem cortes em agosto de 2002.

CANNIBAL APOCALYPSE (EUA/Itália, 1980) Dirigido por Antonio Margheriti. Apesar de ter o "Canibal" no título está mais para uma cópia dos filmes de zumbi de George Romero. Nunca foi submetido para apreciação da BBFC e mesmo assim a Replay home video colocou um selo de certificação falso quando lançado em VHS. Ficou banido até 2005 quando passou com um ínfimo corte de 2 segundos.

CANNIBAL FEROX (Itália, 1981) Dirigido por Umberto Lenzi. Um dos filmes mais violentos da lista e polêmico pela excessiva gratuidade dos maus tratos contra animais foi lançado pela Replay também com uma certificação falsa e depois totalmente mutilado (cerca de 7 minutos), contudo ambas as versões nunca foram submetidas à BBFC. A VIPCO em 2002 fez pré-cortes de 5 minutos e ainda assim a BBFC exigiu mais 6 segundos de cortes, sendo essa a edição disponível hoje no Reino Unido.

CANNIBAL HOLOCAUST (Itália, 1978) Dirigido por Ruggero Deodato. Podemos dizer que de forma indireta, Ruggero Deodato começou toda a polêmica sobre os "vídeos nasties", ajudado pela distribuidora Go Video. Nunca foi visto pela BBFC oficialmente e embora a empresa que o lançou diga ao contrário provavelmente pré-cortes tenham sido realizados para a versão em VHS. Finalmente liberado em julho de 2001 com 5 minutos e 44 segundos a menos.

CANNIBAL MAN (Espanha, 1971) Dirigido por Eloy De La Iglesia. Este sombrio e belamente filmado melodrama nada tem a ver com os outros filmes de canibais da lista da DPP. Então foi possivelmente perseguida quando a Intervision trocou o título original (La Semana del Asesino) para algo mais chamativo. A versão sem cortes ficou banida até Novembro de 1993 quando passou com apenas 3 segundos de cortes.


CANNIBAL TERROR (Espanha, 1981) Dirigido por Julio Tabanero. O título é chamativo, mas acredite, é muito menos interessante do que parece. Depois de lançado pela Modern Films Video foi banido pela sua associação com os outros filmes de canibais (aparentemente a BBFC perseguiu tudo o que tinha "cannibal" no título) e algum gore mais profissional. Passou sem cortes em março de 2003.

CONTAMINATION (Itália, 1980) Dirigido por Luigi Cozzi. Uma das grandes injustiças nesta lista, esta variação de ALIEN e INVASORES DE CORPOS não tinha motivo algum para passar na lista. Ainda assim já havia sido lançado com pré-cortes ViP vídeo sem certificação e em meados dos anos 80 uma edição mutilada foi lançada. No início de 2003 foi re-submetido sem cortes, passou pela BBFC e ganhou certificação para maiores de 15 anos(!?!?)

DEAD AND BURIED (EUA, 1981) Dirigido por Gary Sherman. Não era só de produções obscuras e amadoras que se moviam a lista e este é o primeiro exemplo. Passou sem cortes em 1981, enquanto era lançado no cinema e surpreendentemente foi banida quando a Thorn EMI passou para VHS. Ficou pouco tempo na lista e no final dos anos 80 recebeu 5 segundos de cortes. Em 1999 foi liberado completamente.


DEATH TRAP (EUA, 1976) Dirigido por Tobe Hooper. Segundo filme de Hooper, com muito mais violência e menos tensão que o primeiro (para quem não sabe é O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA). Foi certificado com cortes para lançamento em cinema em 1978. Em VHS a VIPCO re-colocou os cortes e acabou banido, parcialmente pela arte da capa e parcialmente pela implicância pessoal de Mary Whitehouse. Em meados dos anos 90 foi aprovado com 25 segundos a menos e em novembro de 2000 passou completamente. Como curiosidade, o filme anterior de Tobe Hooper, mesmo sendo extremamente mais assustador nunca figurou na famigerada lista.


DEEP RIVER SAVAGES (Italia, 1972) Dirigido por Umberto Lenzi. Ivan Rassimov, Me Me Lay e animaizinhos mortos estrelam o primeiro filme da onda canibal italiana. Não conseguiu certificação para ser lançado no cinema, então não seria novidade que a edição sem cortes em VHS pela Derann figurasse na lista da DPP. Cortes de 3 minutos e 45 segundos feitos em 2003 precisaram ser feitos para que o público do Reino Unido conseguisse ver a obra.


DELIRIUM (EUA, 1979) Dirigido por Peter Maris. Um thriller estúpido sobre um grupo de fascista que contratam um veterano do Vietnã psicopata para limpar as ruas. Levemente profissional e nunca interessante, ganhou as prateleiras pela VTC e acabou na lista sem muito fundamento. Em 1987 ganhou 16 segundos a menos e foi liberado.


THE DEVIL HUNTER (Espanha, 1981) Dirigido por Jesus Franco. Mais um treco de Franco, que pegou o lugar do diretor Armando De Ossorio quando este saiu andando do set - possivelmente depois de ver a porcaria do roteiro - essa tranqueira mistura CAÇADORES DA ARCA PERDIDA com ANTHROPOPHAGUS! Cinehollywood lançou em vídeo e foi banido, muito mais pelo fetiche de Franco por mulheres nuas sendo chicoteadas, já que há pouco gore na tela. THE DEVIL HUNTER continua banido, pois nenhuma distribuidora parece interessada em lançar uma produção tão pobre assim.

DON'T GO IN THE HOUSE (EUA, 1980) Dirigido por Joseph Ellison. Seria um filme excelente na linha de PSICOSE não fosse a trilha sonora "disco" e o orçamento muito baixo. Contudo chegou a ser lançado em cinema em 1980 cortado, a empresa Videospace tentou re-inserir os cortes e acabou banido. Em 1987 saiu da lista após mais de 3 minutos de mutilações no fotograma.

DON'T GO IN THE WOODS ... ALONE! (EUA, 1980) Dirigido por James Bryan. Se Ed Wood estivesse vivo e com dinheiro para fazer um slasher teria grandes chances de sair como esse aqui. Sem o menor critério, a inaptidão de todos os envolvidos deve ter sido a causa do banimento. Nunca tentaram passar essa porcaria novamente por um bocado de tempo até que ganhou as prateleiras intacto em 2007.


DON'T GO NEAR THE PARK (EUA, 1979) Dirigido por Lawrence Foldes. Uma bagaceira totalmente esquecível e mais um caso de que a DPP não tinha muita seleção para banir filmes. em 2006 conseguiu passar ileso para lançamento em DVD.


DON'T LOOK IN THE BASEMENT (EUA, 1973) Dirigido por S. F. Brownrigg. Outro mistério na lista da DPP, pois esta maluca produção em um hospício ultrabarata foi lançada em VHS no Reino Unido pela Crystal Home Video em uma versão já muito mutilada e ainda assim acabou banido. Em 2005 não apenas passou sem cortes pela BBFC como ainda ganhou certificação para maiores de 15 anos.

DRILLER KILLER (EUA, 1979) Dirigido por Abel Fererra. Esqueçam o título chamativo, DRILLER KILLER é de fato uma variação drogada de TAXI DRIVER sendo o debut de Abel Ferrara. A edição original em vídeo pela VIPCO continha pré-cortes, mas não foi suficiente para saciar os interesses da DPP e acabou banido. Esta mesma versão conseguiu passar posteriormente em 1999 e sua versão integral foi aprovada em novembro de 2002.

THE EVIL DEAD (EUA, 1982) Dirigido por Sam Raimi. O filme mais popular e notório da relação, tão realista quanto quadrinhos de terror, fez muito barulho quando foi banido e é esquisito quando se pensa que filmes significativamente mais gráficos como TRASH - NÁUSEA TOTAL, de Peter Jackson, passaram sem maiores problemas. EVIL DEAD foi lançado com pequenos cortes em 1982 no cinema e é a mesma versão banida quando chegou em vídeo pela Palace. Após 40 processos em cima da obra de Sam Raimi, foi re-lançada com mais cortes e em junho de 2002 o público britânico pôde assisti-lo em sua plenitude.

EVILSPEAK (EUA, 1981) Dirigido por Eric Weston. Essa porca versão masculina de CARRIE - A ESTRANHA envolvendo satanistas, uma academia militar e porcos possuídos têm lá uma certa dose de splatter, mas é tão amadora que não mereceria estar neste rol. De qualquer maneira após uma re-edição com 3 minutos e meio a menos, foi disponibilizado intacto em 1999.


EXPOSÉ (Inglaterra, 1975) Dirigido por James Kenelm Clarke. Nem o fato de serem conterrâneos evitou que essa variação inexpressiva de SOB O DOMÍNIO DO MEDO, de Sam Peckinpah, (que tem sua própria história de problemas com censura) evitasse seu banimento. Já pré-cortado pelos distribuidores no lançamento em cinema, apareceu em vídeo pela Intervision antes de ser banido. Depois foi re-considerado com 51 segundos de cortes.

FACES OF DEATH (EUA/Japão, 1979) Dirigido por Conan Le Cilaire. Metade real, metade picaretagem, o documentário sobre o "sentido da morte" foi pré-cortado pela distribuidora Atlantis em VHS e ainda assim foi banido pela DPP, assim como todas as suas seqüências. No ano de 2003 foi re-avaliado e liberado com cerca de 2 minutos e meio de cortes.

FIGHT FOR YOUR LIFE (EUA, 1977) Dirigido por Robert Endleson. A variação pobre e altamente racial de ANIVERSÁRIO MACABRO seria ofensivamente inassistível se não fosse tão afetado pelo baixo orçamento. É mais um caso de produção que não conseguiu classificação para o cinema (no ano de 1981) e foi banido quando lançado em VHS sem cortes prévios. Neste caso permanece banido até hoje e dificilmente sairá em sua versão integral.


FLESH FOR FRANKENSTEIN (Itália, 1973) Dirigido por Paul Morrissey. Da lista dos desconhecidos este filme de Morrissey talvez seja o mais profissional e interessante. Cortado em 1975 para lançamento na tela grande teve os cortes anulados pela VIPCO e foi banido imediatamente. Conseguiu sair da lista depois que a versão de cinema foi levada a apreciação, em 2006 saiu sem cortes. Diferentemente de seu filme "companheiro" BLOOD FOR DRACULA (1972), que, mesmo contendo violência equivalente, nunca figurou nas discussões da DPP.


FOREST OF FEAR (EUA, 1979) Dirigido por Charles McCrann. Filme sujo e barato feito praticamente em casa com uma câmera de 16mm que trata de um grupo de hippies sedentos de sangue com efeitos comprados em um açougue. Quase um remake do anterior (e melhor) I DRINK YOUR BLOOD (1972). Lançado pré-cortado (mas com o gore intacto) pela Monte Video, continua banido nos dias de hoje, porém não teria problemas em passar pela BBFC porque a maioria das mortes é off-screen e o espectador só vê a bagunça depois do ato consumado.


FROZEN SCREAM (EUA, 1982) Dirigido por Frank Roach. Mais um caso misterioso na lista da DPP, pois esta produção é praticamente inofensiva e conta a história sobre um médico maluco buscando a imortalidade. Permanece banido, todavia atualmente é mais uma situação que não teria polêmica em ser re-lançado.

THE FUNHOUSE (EUA, 1981) Dirigido por Tobe Hooper. Tobe Hooper não estava com a força quando apresentou seus filmes ao Reino Unido, pois foi lançado nos cinemas e banido em VHS, todavia, em 1987, foi devolvido da apreciação sem cortes. Rumores dizem que THE FUNHOUSE foi pego por engano, pois uma cópia pirata do muito mais perigoso LAST HOUSE ON DEAD END STREET (1976) era distribuída com o título alternativo de 'Funhouse'.


GESTAPO'S LAST ORGY (Itália, 1977) Dirigido por Cesare Canevari. Vil e profissional, o propósito deste Nazi exploitation era ofender mais do que os filmes superficialmente similares (ILSA SHE WOLF OF THE SS, DEPORTED WOMEN OF THE SS SPECIAL SECTION) e foi erradicado do Reino Unido, provavelmente para todo o sempre.

THE HOUSE BY THE CEMETERY (Itália, 1982) Dirigido por Lucio Fulci. Outro clássico de Fulci que obteve problemas na terra da rainha. Cortado em apenas 30 segundos para lançamento nos cinemas, a Vampix Video deve ter ficado fula da vida quando esta mesma versão entrou na lista da DPP. Para ser liberado, edições com 4 e até 7 minutos menos foram analisadas, mas em 2001 o filme foi re-certificado com 33 segundos de cortes.


THE HOUSE ON THE EDGE OF THE PARK (Itália, 1980) Dirigido por Ruggero Deodato. Uma abordagem de ANIVERSÁRIO MACABRO à italiana até inocente na sanguinolência, mas carregado de violência sexual que foi rejeitado para sair nos cinemas em 1982, com a versão em VHS pela Skyline banida. Passou com impressionantes 11 minutos e 43 segundos de cortes em julho de 2002, virou quase um trailer.

HUMAN EXPERIMENTS (EUA, 1979) Dirigido por Gregory Goodell. Típico thriller inofensivo dos drive-ins estadunidenses, foi mal interpretado por causa do título que lembra os nazi-exploitations e a arte da caixa que contém uma mulher seminua em tratamento. Assim a permanência da produção na lista foi por pouco tempo e em 1994 já pode ser disponibilizada com 28 segundos de cortes.

I MISS YOU HUGS AND KISSES (Canada, 1978) Dirigido por Murray Markowitz. Tedioso thriller com uma estrutura excessivamente complicada e poucas cenas de violência, também deve ter sido mais um caso de erro da DPP. A versão da Intercity Video (que lançou o muito mais ofensivo PLEASURE SHOP ON 7TH AVENUE (1977), de Joe D’Amato, e nunca figurou na lista) foi banida e foi re-lançado pouco tempo depois com cerca de 1 minuto e meio a menos em 1987.

I SPIT ON YOUR GRAVE (EUA, 1978) Dirigido por Meir Zarchi. Problemático em diversas partes do globo, no Reino Unido não poderia ser diferente. A distribuidora Astra home video colocou na caixa do VHS a certificação 'R' utilizada nos Estados Unidos. Porém esta classificação deveria ser aplicada para a edição mutilada em 17 minutos, contudo o VHS britânico era, de fato, sem cortes. Por mais de 15 anos no rol da DPP até novembro de 2001 quando pôde sair com pouco mais de 7 minutos a menos.

INFERNO (Itália/EUA, 1980) Dirigido por Dario Argento. Nem Argento conseguiu evitar problemas na Inglaterra. A segunda parte da trilogia das mães conseguiu passar nos cinemas com cortes mínimos. Sem muito grafismo ou conceitos polêmicos, é de se surpreender que o mesmo material em VHS pela CBS/Fox video tenha sido banido. Em seguida passaram uma versão com 28 segundos a menos e finalmente outra com 20 segundos, que está relacionado a uma seqüência onde um gato come um rato.

ISLAND OF DEATH (Grécia, 1977) Dirigido por Nico Mastorakis. Sujo, violento, perverso, barato... A polêmica obra de sexploitation caiu em cheio na lista da DPP depois que a AVI video re-colocou todos os cortes do lançamento em cinema de 1981. Depois uma tentativa de re-lançamento - sob o título nonsense de PSYCHIC KILLER 2 - com pré-cortes de 13 minutos também foi recusada. A VIPCO em 2002 conseguiu garantir a certificação após abrir mão de 4 minutos e 9 segundos para a BBFC.

KILLER NUN (Itália, 1978) Dirigido por Giulio Berruti. Nun-sploitation moderado na violência deve ter sido erradicado mais pelo conceito de mal gosto que pelo conteúdo. A versão sem cortes foi banida na época, mas em 2006 conseguiu ver a luz do dia da maneira que foi idealizado.

THE LAST HOUSE ON THE LEFT (EUA, 1972) Dirigido por Wes Craven. Claro que com um rol tão grande de filmes ofensivos, o desconfortável debut de Wes Craven não poderia ficar de fora. Só que com este aqui a coisa foi mais além, teve lançamento nos cinemas recusados em 1974 e novamente em 2000. Em vídeo a distribuidora Replay video havia feito pré-cortes nas cenas mais extremas, contudo não teve desculpa. Em julho de 2002, com 31 segundos a menos pode ser lançado em DVD pela Blue Underground.


LATE NIGHT TRAINS (Itália, 1978) Dirigido por Aldo Lado. Outro ANIVERSÁRIO MACABRO italiano, bem feito, mas muito menos visceral que a obra de Craven. Como possuía pouco gore, o banimento deve-se as cenas de violência sexual, ainda que a distribuidora VWI tenha feito pré-cortes. Continua sem certificação e banido até os dias de hoje.


THE LIVING DEAD AT MANCHESTER MORGUE/LET SLEEPING CORPSES LIE (Espanha/Itália, 1974) Dirigido por Jorge Grau. A variação de A NOITE DOS MORTOS VIVOS, de George Romero, produzida com um esmero excelente e uma fotografia primorosa foi terrivelmente mutilada quando foi para a tela grande e os cortes foram re-colocados pela distribuidora VIP. O resultado? Banimento. Conseguiu ser aprovado com 2 minutos a menos e em maio de 2002 foi aprovado sem cortes pela Anchor Bay.

LOVE CAMP 7 (EUA, 1967) Dirigido por Robert L FrostLove. Camp 7 é mais um pornô softcore disfarçado de nazi exploitation, pois bebe muito mais das fontes dos filmes W.I.P. do que do sub-gênero em questão. Houve uma tentativa de certificação em 2002 pela Salvation Films, mas ela foi recusada e o filme permanece banido.


MADHOUSE (EUA/Italia, 1981) Dirigido por Ovidio Assonitis. Este slasher (filme de psicopata caçando jovens desprevenidos) violento de dupla nacionalidade pintou nas prateleiras pela Medusa vídeo em duas versões, uma integral e outra com um pequeno corte em uma cena. Sem conseguir a certificação, a DPP não fez diferença entre as edições e baniu as duas. Sem haver muito o que incomodasse o novo regime da BBFC, foi certificado sem cortes em 2004.

MARDI GRAS MASSACRE (EUA, 1982) Dirigido por Jack Weis. Esta picaretagem sobre os filmes de H. G. Lewis consegue tornar os já semi-amadores filmes do diretor obras primas do cinema contemporâneo. A inépcia dos envolvidos e os erros anatômicos (especialmente relacionado a uma cena em que um coração é removido) não conseguem despertar interesse. A DPP baniu a versão sem cortes da distribuidora Goldstar e assim está até hoje. Amém.


NIGHT OF THE BLOODY APES (Mexico, 1969) Dirigido por Rene Cardona. México no fim dos anos 60 significa produções com qualidade questionável e este aqui é um mezzo lucha-libre, mezzo monstro, mezzo thriller e ainda enxertado com cenas reais de operações. Inesquecível! Com um minuto de cortes para lançamento nos cinemas em 1974, a Iver Film Services pôs os cortes no lugar e ganhou o banimento. A versão de cinema foi liberada em 1999 e depois re-certificada em 2002.


NIGHT OF THE DEMON (EUA, 1980) Dirigido por James Wasson. Certamente o filme mais sangrento baseado no pé grande, possui atuações péssimas e gore de açougue, contudo possui o climax mais tosco e engraçado da lista inteira. A Iver Film Services lançou a produção com "a coisa" toda: a castração de um motociclista, o desmembramento de um pescador e o climax, que resultaram em um encontro com a DPP. Saiu da lista depois que uma edição com cortes de 1 minuto e 41 segundos saiu em janeiro de 1994 pela VIPCO.

NIGHTMARE MAKER (EUA, 1981) Dirigido por William Asher. Estranho drama psicótico com algumas mortes com facas e uma excelente cena de batida de carros. Um dos interessantes filmes da lista, mas que não tem nada que pudesse justificar o banimento. Tentou ser re-submetido em 1987 sob o título EVIL PROTÉGÉ, contudo foi rejeitado e ainda permanece no limbo.

NIGHTMARE/NIGHTMARES IN A DAMAGED BRAIN (EUA, 1982) Dirigido por Romano Scavolini. Contendo alguns impressionantes efeitos especiais, este slasher profissional de ritmo lento conseguiu sair na tela grande com 1 minuto de cortes. Re-aplicado pela 'World of Video 2000' foi perseguido e erradicado. Em 2002 a versão sem cortes ganhou as ruas pela Screen Entertainment.

POSSESSION (França/Alemanha, 1981) Dirigido por Andrzej Zulawski. Este é um filme que precisa ser visto para acreditar: espiões, alienação, monstros com tentáculos, assassinatos, terceira guerra mundial, tudo com efeitos de Carlo Rambaldi... Apesar de ter sido lançado sem cortes para o cinema em 1981, foi banido pela DPP. Até 1999 quando conseguiu o almejado certificado.

PRANKS/THE DORM THAT DRIPPED BLOOD (USA, 1983) Dirigido por Jeffrey Obrow e Steven Carpenter. Um quase slasher que lembra mais a extensão de um projeto de faculdade, embora contenha algumas boas cenas, nunca foi lançado nos cinemas e saiu direto pela Canon video sem cortes. Banido, conseguiu a certificação no começo dos anos 90 e em uma reapresentação para DVD pela VIPCO acabou perdendo mais um segundo.


THE MONTAIN OF THE CANNIBAL GOD/PRISONER OF THE CANNIBAL GOD (Itália, 1978) Dirigido por Sergio Martino. Sergio Martino entrou na festa canibal um pouco tarde, quando ela já estava acabando, contudo realizou um filme bacana com alguma violência animal e a nudez gratuita de Ursula Andress. Cortado para os cinemas em 1978, a Hokushin video lançou o VHS sem cortes e acabou banido. Como a maioria dos filmes da lista, quando o filme não conseguiu ter o seu processo favorável a DPP saiu da lista, mas a empresa de distribuição já havia falido. Re-certificado com cortes (2 minutos e 6 segundos) em 2002.


REVENGE OF THE BOGEYMAN/BOOGEYMAN II (EUA, 1982) Dirigido por Ulli Lommel. Continuação de THE BOOGEYMAN, do próprio Lommel, contém virtualmente todos os elementos do filme anterior. Não é tão bom como o primeiro e foi direto para o VHS pela distribuidora VTC, sem cortes ou certificação foi banido. Em 2003 não apenas voltou intacto como ainda contendo mais material filmado.


SHOGUN ASSASSIN (Japão/EUA, 1980) Dirigido por Kenji Misumi/Robert Houston. Samurai e seu filho buscam vingança pela morte de sua esposa pelas mãos de um Shogun maluco enquanto ajudam os aldeões no caminho. Excelentemente filmado e editado, com boas atuações e uma dose cavalar de sangue. Saiu integralmente pela VIPCO sem cortes. A quantidade de sanguinolência e orgias baniram o filme. Duas apreciações foram feitas, uma passou com cortes de 27 segundos e a última, em 1999, foi aprovada sem cortes.


THE SLAYER (EUA, 1982) Dirigido por J S Cardone. Este slasher sobrenatural de baixo orçamento é bem filmado e conta a história dos pesadelos de infância de uma mulher em uma ilha na forma de um intruso horrivelmente mutilado que volta para pegá-la. A exceção de uma cena onde uma mulher é empalada nos peitos com um ancinho, não há nada muito chocante. Na metade dos anos 90 a VIPCO conseguiu removê-lo da lista após ceder 20 segundos de material e em 2001 saiu sem cortes pela Screen Entertainment.

SNUFF (EUA, 1971/76) Dirigido por Michael Findlay e Carter Stevens. O primeiro que deu origem a lenda urbana dos filmes "snuff" é uma visão amalucada dos assassinatos da família Manson e ficou engavetado por anos até que o produtor Allan Shackleton filmou um "assassinato" para o final. Ficou apenas um dia nas prateleiras do Reino Unido pela Astra Home Video antes de sumir de vez. Impressionantemente em maio de 2003 a Blue Underground conseguiu uma certificação sem corte algum.

SS EXPERIMENT CAMP (Italia, 1976) Dirigido por Sergio Garrone. Mais um pornô-softcore em campos de concentração maquiado de nazi-exploitation que contém diálogos inspirados e um título bacana a despeito do tédio que preenche a maior parte do tempo. Foi um dos primeiros filmes a ser perseguido no Reino Unido, muito mais pela sua reputação do que pelo conteúdo. Saiu sem cortes em 2005.

TENEBRAE (Italia, 1982) Dirigido por Dario Argento. Segundo filme de Argento na lista é um Giallo incrivelmente bem feito e um retorno do diretor em um lugar mais confortável depois das críticas sobre o filme INFERNO. Para chegar aos cinemas precisou de 5 segundos de cortes, a mesma edição que foi banida pela DPP. Re-lançado em 1999 com 6 segundos a menos, em 2003 conseguiu passar pela BBFC sem cortes (pela Anchor Bay)


NIGHT SCHOOL/TERROR EYES (EUA, 1981) Dirigido por Kenneth Hughes. Slasher padrão da década de 80, causou mais rebuliço por causa da alteração do título original (NIGHT SCHOOL) e a arte da caixa. Conseguiu passar na tela grande após alguns cortes que foram re-inseridos pela Guild home video e foi banido, ainda que não haja praticamente gore espirrando. Em 1987 foi classificado para lançamento após 1 minuto e meio de cortes.


THE TOOLBOX MURDERS (EUA, 1978) Dirigido por Dennis Donnelly. Muito bem feito, uma performance bizarra de Cameron Mitchell e bastante nudez feminina abriu os olhos da DPP. Cortado em 3 minutos para o cinema, foi a mesma versão que saiu em vídeo e subseqüentemente banida. Saiu da lista quando a distribuidora Hokushin faliu e em fevereiro de 2000. A VIPCO obteve a certificação após cortes de 1 minuto e 46 segundos.

UNHINGED (EUA, 1982) Dirigido por Don Gronquist. Inspirado em PSICOSE, mas com muito, muito menos dinheiro, este filme tem uma atmosfera assustadora ainda que o elenco seja bastante amador. Chegou a ser exibido nos cinemas em 1983, com certos cortes, claro. Foi lançado, banido e pouco depois saiu da lista, pois a distribuidora Avatar fechou. Foi certificado intacto em 2004.


VISITING HOURS (Canadá, 1981) Dirigido por Jean Claude Lord. Rostos conhecidos estampam este slasher misoginistico (Michael Ironside e William Shatner) que precisou ser reduzido em 1 minuto para sair na tela grande em 1982. É a mesma versão erradicada pela DPP. A CBS/Fox levou novamente à apreciação em 1986 e a BBFC liberou a exibição. Curiosamente por um engano a edição integral passou na televisão ao invés da certificada, o que gerou para a emissora ITV uma advertência do governo.


WEREWOLF AND THE YETI (Espanha, 1975) Dirigido por Miguel Iglaisias Bonns. Paul Naschy estrela mais um filme de lobisomens bizarro, que é algo como o Lobisomem, da Universal, mas com mais gore. À parte de algumas chicotadas, nada na tela é tão abismal que banisse a produção. Contudo permanece banido até hoje.


THE WITCH WHO CAME FROM THE SEA (EUA, 1976) Dirigido por Matt Cimber. Nem tanto um filme de terror, está mais para um filme de arte com pornografia soft-core, tem uma narrativa difícil de acompanhar e uma série de personagens bobos. Saiu direto em VHS pela distribuidora VTC sem cortes, algumas tomadas de castração devem ter chamado a atenção da DPP. Saiu do limbo em 2006 numa versão sem cortes.


WOMEN BEHIND BARS (Espanha, 1977) Dirigido por Jesus Franco. Franco, assim como Fulci, são os diretores com maior número de obras na lista, três cada um. Como o título entrega, este é um W.I.P. repleto de nudez frontal feminina com o trabalho de câmera horrível e as chibatadas características do diretor. Sem cortes e direto em vídeo pela Go Video, os censores sempre tiveram olhares tortos quando o assunto é torturas femininas e com este não foi diferente. Permanece banido até hoje.

XTRO (Inglaterra, 1983) Dirigido por Harry Bromley Davenport. Bom filme de ficção científica com alguma coisa chocante e bons efeitos se levarmos em consideração o baixíssimo orçamento. Foi lançado nos cinemas sem cortes. Conclui-se que XTRO entrou na lista quase por engano, pois tão logo apareceu no rol da DPP, foi certificado e liberado plenamente.

HELL OF THE LIVING DEAD/ZOMBIE CREEPING FLESH (Italia, 1980) Dirigido por Bruno Mattei. Opa! Quem diria que o nome de Bruno Mattei estivesse na mesma relação que Lucio Fulci, Dario Argento, Mario Bava, Sam Raimi e Tobe Hooper? Hahaha... De uma produção de Mattei nós já sabemos o que esperar, então difícil pensar que alguém na DPP levou o filme a sério, especialmente quando a versão em VHS (pela Merlin Video) continha os mesmos cortes da edição de cinema de 1982. Foi re-certificado duas vezes: uma com mais cortes no início dos anos 90 e em janeiro de 2002 integralmente.


ZOMBI 2/ZOMBIE FLESH EATERS (Italy, 1979) Dirigido por Lucio Fulci. Para encerrar esta maratona, outro filme infame de Fulci, repleto de violência e, bem, mais violência. Após quase dois minutos de cortes para sair no cinema, a VIPCO lançou o VHS sem cortes apenas para ver depois que ambas as edições foram banidas. Passou várias vezes pela mesa da BBFC, até que em 2005 viu a luz do dia sem alterações.


Fazendo uma síntese de tudo o que está escrito acima, das 74 produções, 33 saíram sem cortes, 27 tiveram reduções para lançamento, 13 continuam fora das prateleiras britânicas e 1 saiu com material adicional.


Durante o vigor da lista da DPP, ações independentes de alguns condados pelas polícias locais para confiscar filmes que eles acreditavam serem ofensivos também aconteceram, baseados no “Ato 1984". Alguns deles possuíam suas próprias listas, outros pegavam primeiro e perguntavam depois. Abaixo está a lista dos filmes que foram apreendidos, mas que nunca estiveram na lista oficial da DPP. Não está completa, contudo serve para se ter uma dimensão do tamanho do caos que eram os critérios de apreensão de material durante estes tempos:

BASKET CASE (EUA, 1982) Dirigido por Frank Henenlotter

BLOOD FOR DRACULA (Itália, 1973) Dirigido por Paul Morrissey

BLUE EYES OF THE BROKEN DOLL (Espanha, 1972) Dirigido por Carlos Aured

JUNGLE HOLOCAUST/THE LAST CANNIBAL WORLD (Itália, 1976) Dirigido por Ruggero Deodato

CITY OF THE LIVING DEAD (Itália, 1980) Dirigido por Lucio Fulci

DAWN OF THE MUMMY (Egito/Itália 1981) Dirigido por Frank Agama

DEMENTED (EUA, 1980) Dirigido por Arthur Jeffreys

THE EXTERMINATOR (EUA, 1980) Dirigido por James Glickenhaus

FRIDAY THE 13TH (EUA, 1980) Dirigido por Sean Cunningham

FRIDAY THE 13TH PART 2 (EUA, 1982) Dirigido por Steve Miner

THE HILLS HAVE EYES (EUA, 1977) Dirigido por Wes Craven

I DRINK YOUR BLOOD (EUA, 1972) Dirigido por David Durstan

KILLER'S MOON (Inglaterra, 1978) Dirigido por Allan Burkinshaw

MACABRE (Itália, 1982) Dirigido por Lamberto Bava

MADMAN (EUA, 1982) Dirigido por Joe Giannone

MANIAC (EUA, 1980) Dirigido por William Lustig

MOTHER'S DAY (EUA, 1981) Dirigido por Charles Kaufman

NIGHT OF THE SEAGULLS (Espanha, 1975) Dirigido por Armand De Ossorio

THE PROWLER/ROSEMARY'S KILLER (EUA, 1981) Dirigido por Joe Zito

SUPERSTITION (EUA, 1981) Dirigido por James RobersonT

ERROR EXPRESS (Itália, 1979) Dirigido por Ferdinando Baldi

THE THING (EUA, 1982) Dirigido por John Carpenter

VIDEODROME (Canadá, 1982) Dirigido por David Cronenberg

WEREWOLF WOMAN (Itália, 1976) Dirigido por Rino Di Silvestro

ZOMBIE HOLOCAUST (Itália, 1980) Dirigido por Marino Girolami


Por engano, outras produções também foram caçadas, mas percebendo o erro foram devolvidas rapidamente. Os destaques ficam para APOCALYPSE NOW, de 1979, (possivelmente confundido com CANNIBAL APOCALYPSE), as comédias A MELHOR CASA SUSPEITA DO TEXAS (The Best Little Whorehouse In Texas, 1982), MAX DEVLIN E O DIABO (The Devil & Max Devlin, 1981) e o filme de guerra AGONIA E GLÓRIA (The Big Red One, 1977) por causa da conotação sexual dos títulos. Milhares de outros títulos não foram certificados pela BBFC e foram banidos sem aparecer na lista - a parte de sucessos conhecidos como O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, SOB O DOMÍNIO DO MEDO e THE STORY OF O, grande parte são obscuridades que talvez os jovens britânicos jamais tenham ouvido falar, muitas delas provavelmente pérolas. Então vem a real finalidade desta discussão: Em um mundo em que milhões vivem longe do grande mundo do cinema sem restrições, podemos não reclamar por eles, mas não devemos esquecer daqueles que não são afortunados o suficiente para escolher o que querem assistir e ter um gostinho da liberdade ilimitada da sétima arte.

BANIDO! A HISTÓRIA DOS "VíDEOS NASTIES" (Gabriel Paixão)

A censura sempre foi um grande problema para os filmes cuja violência é evidentemente gratuita ou quando há excessiva depreciação dos valores ditos morais. Nestes caso, os conservadores entram em choque direto com os que defendem a pura e simples liberdade de expressão - não muito raramente esta discussão entra em níveis caseiros como, por exemplo, entre pais e filhos. Os argumentos entre ambos são fortes e contundentes e a pergunta fundamental a ser feita é mais do que óbvia: onde termina a liberdade de expressão e começa a falta de escrúpulos dentro do cinema? Qual é o limite entre a responsabilidade e a criatividade?Quando se estuda um pouco mais a fundo o enredo por trás dos roteiros e dos elencos, chega-se invariavelmente a esta discussão moral e poderia ficar desfiando linhas e mais linhas desta polêmica, porém cada cabeça é uma sentença e também não é este o alvo deste artigo. Seu objetivo é ser um documento histórico de um capítulo a parte na trajetória dos filmes de horror, esmiuçar um dos períodos mais conturbados do cinema no Reino Unido e um exemplo da dureza da censura no país mais conservador do velho continente, onde interesses unilaterais, paranóia e contradições baniram por muito tempo grandes obras controversas (e algumas continuam banidas até hoje). Filmes estes que eram referidos na época pelo termo "vídeo nasty" (ou "vídeo desagradável" numa tradução livre). Recordar é viver, afinal já disse Winston Churchill, "Aqueles que falham em aprender da história estão condenados a repeti-la" (frase esta aproveitada nos créditos de abertura de CANNIBAL HOLOCAUST do diretor Ruggero Deodato, um dos "video nasties").No início dos anos 80 a Inglaterra não era muito diferente do Brasil nos termos de distribuição de VHS, pequenas e numerosas distribuidoras de fundo de quintal apareciam e sumiam em velocidade espantosa. Com a explosão da popularidade dos vídeos cassetes e por não poderem adquirir os sucessos de Hollywood, lançavam aos borbotões qualquer coisa que satisfizesse a demanda crescente, entre eles entravam os filmes de terror que em sua maioria eram estrangeiros e jamais antes exibidos. Na realidade algumas destas produções eram tão obscuras e violentas que de outra forma jamais conseguiriam um lançamento em cinema no país.
Estas empresas faziam de tudo para conquistar sua clientela, na maior parte das vezes empregando artes de capa e contra-capa de gosto questionável para trazer a "atração pelo repúdio", que é o tema principal do excelente livro da editora britânica FAB Press, "Shock! Horror! Astounding Artwork from the Video Nasty Era". O mercado estava aquecido e as fitas de horror se tornaram imediatamente populares nas salas dos ingleses.Já existiam regras sobre o lançamento de pornografia no Reino Unido - que datam de 1959 e em 1977, sendo depois ampliada para o caso específico dos filmes eróticos -, contudo não havia regulamentação para os VHS's - ou seja, materiais de toda espécie poderiam ser irrestritamente comercializados em qualquer lugar - e em 1981 as grandes distribuidoras relutavam em embarcar nesta nova mídia com medo da pirataria e do mercado se saturar com estes pequenos filmes obscuros que estavam enchendo as prateleiras no comércio (ao contrário de hoje em que o varejo é dominado por elas).

Por algum tempo esta explosão continuava imbatível: todos os consumidores estavam felizes, o mercado cresceu maciçamente e as companhias começaram a fazer campanhas de marketing cada vez mais agressivas. Por exemplo, em 1982 a distribuidora VIPCO (Video Instant Picture Company, hoje uma das principais na distribuição do gênero) enquanto lançava DRILLER KILLER, publicou propagandas que ocupavam páginas inteiras em diversas revistas especializadas, a despeito da violência gráfica da arte original da capa, o que resultou em diversas reclamações na agência governamental reguladora da publicidade. A distribuidora Astra lançou o filme SNUFF sem os créditos iniciais e o vendia subjetivamente como um "snuff real"; títulos eram trocados para ampliar o chamariz como o slasher NIGHTMARE renomeado como NIGHTMARES IN A DAMAGED BRAIN. Alguns meses depois a empresa Go Video, em um esforço para promover publicidade para o lançamento de CANNIBAL HOLOCAUST, escreveu anonimamente para Mary Whitehouse (uma ativista que parecia se ofender com qualquer coisa, até com os desenhos do Tom e Jerry) enviando-a uma cópia do filme, foi quando as primeiras rachaduras na indústria apareceram e o que elas mostravam era uma previsão de que as coisas começavam a andar errado.

Esse aspecto somado as condições daquele povo nestes tempos - alta criminalidade, desemprego elevado e recessão econômica - fizeram com que estes filmes fossem o "bode expiatório" que a política estava procurando, afinal quem do povo iria se importar se um filme pequeno como SS EXPERIMENT CAMP fosse banido? Certamente uma infímia parcela de alienados, deviam pensar.

Não tarda muito e em 1982 (ironicamente pouco tempo depois que é divulgado que THE EVIL DEAD alcançava a liderança anual em locações no Reino Unido) a campanha inflamada contra os já nomeados "videos nasties" de Mary Whitehouse, comparando o impacto de filmes como CANNIBAL FEROX com a descoberta do vírus HIV, tomava a televisão e os jornais, provocava frenesi e histeria em massa na população culpando seus problemas pela exposição dos jovens a violência filmada - "caça às bruxas" estava instaurada. Incrivelmente esta "auto-promoção" de Whitehouse só serviu para aumentar ainda mais a demanda por estas produções entre os adolescentes e a meta da Go Vídeo surtiu mais efeito que o esperado. De forma que o Quadro Britânico dos Censores de Filmes (British Board of Film Censors ou BBFC), que é o órgão governamental que já controlava a censura nos cinemas, ampliasse os conceitos da lei de obscenidade de 1977: a lei aprovada passou a chamar-se como "Video Recordings Act 1984" entrando em vigor no dia 1º de setembro de 1985.Sob o "ato 1984" a BBFC (renomeada como British Board of Film Classification) ficaria responsável também por certificar os lançamentos em vídeo com efeito imediato, além de exigir que todos as produções lançadas antes da data da lei deveriam ser re-submetidas em um prazo de 3 anos, dividido em etapas. A contraditória classificação em separado (pelo medo de que estas fitas parassem nas mãos de crianças) fez com que muitos filmes que eram lançados sem cortes no cinema fossem cortados em VHS. O caso mais particular foi no filme O EXORCISTA que, lançado nos cinemas e em VHS pela Warner Home Vídeo em Dezembro de 1981, não conseguiu uma certificação pela BBFC e foi retirado das prateleiras em 1986 (contudo, não citado posteriormente no rol dos "videos nasties").

Com as pequenas distribuidoras não houve tempo para resposta. Armados com uma "lista negra", a polícia corria pelo país apreendendo vídeos. Alguns deles eram retirados em uma locadora em um condado e largado em outro condado adjacente; alguns títulos eram escolhidos a esmo enquanto outros eram confiscados para valer. Alarmados com a evidente seleção arbitrária, o inconsistente trabalho da polícia e os cem números de estabelecimentos que faliram com multas e apreensões, a Associação das Locadoras de Vídeo suplicou ao Departamento de Procuradoria Pública (DPP) por orientações sobre quais materiais poderiam ser comercializados e quais eram candidatos ao confisco. Reconhecendo as falhas no processo, o DPP preparou uma lista com os filmes que deveriam ser autuados e cujos processos contra as respectivas distribuidoras estavam concluídos. Esta lista foi conhecida como a "Video Nasties list".

MANÍACOS

Maníacos (Two Thousand Maniacs, EUA/1964)
Direção: Herschell Gordon Lewis. Elenco: Connie MasonThomas WoodJeffrey Allen.

Seis incautos viajantes desviam-se de sua rota numa auto-estrada californiana e entram numa cidadezinha desconhecida, onde se comemora o seu centenário por uma legião de enlouquecidos cidadãos; lá, são considerados hóspedes de honra e obrigados a participar da festa, que se desenrola tendo sangrentos esportes como prato principal - e tendo os viajantes como protagonistas.

Depois do perverso e mal afamado Banquete de Sangue (Blood Feast, 1963), um dos marcos iniciais do cinema splater-gore, o diretor Herschell Gordon Lewis retorna com essa estranha e igualmente cultuada película, ingênua e despretensiosa em seu tom de deboche ensandecido, mas incômoda e sinistra em seu acabamento tosco e cheio de boas idéias (já nos créditos iniciais vemos dois garotos enforcando um gato, em sugestão). Ao invés do suspense, Lewis optou por um clima de loucura geral e humor negro, e acabou criando uma pérola trash repleta de ironia, uma diversão macabra quase camp, produzida pelo famoso David F. Friedman, considerado um dos grandes precursores do "exploitation", ao lado justamente de figuraças do cinema americano de exploração na virada dos anos 50 para os 60, como Russ Meyer, Ed Wood Jr., Peter Bogdanovich, Roger Corman, a cineasta transgressora Doris Wisham, e o próprio Gordon Lewis.

Maníacos não é considerado nenhum divisor de águas no gênero, embora seja uma das mais "sérias" e bem acabadas obras do diretor, que aqui optou pelo horror cru e desmiolado, em detrimento das cenas eróticas, comum em outras fitas de "exploitation". Isso para quem já viu o tosquíssimo e já citado Blood Feast, além de Color Me Blood Red (1964), The Wizad of Gore (1970) e The Gore Gore Girls (1972), entre os mais conhecidos. Por isso, são boas e oportunas as cenas de mutilação e sangreira gratuitas, desmembramentos e sadismo em geral, ao embalo de um sangue cinematograficamente perfeito - com direito a um final surpresa que funciona e a uma divertida paródia ao american way of life interiorano (o filme foi rodado na pequena cidade de St. Cloud, na Flórida, e contou com a participação de praticamente todos os residentes locais). Foi lançado em vídeo VHS no Brasil pela Sunrise, mas encontrá-lo hoje, em fita original, é praticamente impossível. Um pequeno clássico do gore primitivo.


HERSCHELL GORDON LEWIS (Gabriel Paixão)

Como definir uma pessoa que trabalhou como um sério professor de inglês, um respeitadíssimo publicitário e acabou como um dos maiores provocadores de náuseas do cinema dos anos 60? Um lunático bipolar talvez, mas no caso de Herschell Gordon Lewis não se trata de sorte ou acidente, tudo o que ele construiu foi meticulosamente planejado.E na minha sincera opinião Lewis é, além de o criador de um subgênero que tantos adoram, os "splatters movies", um diretor injustiçado. Um profissional que em seu tempo não conseguiu fazer a maioria dos críticos ver o valor da diversão de suas obras além dos excessos criativos ou das ausências de recursos, mas mesmo assim deixou um valioso legado cinematográfico para os futuros cineastas da época. Este artigo serve não apenas para fazer justiça ao mito, mas contar a interessante história de um dos grandes pioneiros renegados da sétima arte. Na síntese, quer ver um autêntico exploitation com bastante entretenimento? Pegue qualquer filme de H. G. Lewis, coloque para rodar e aproveite a viagem.Herschell Gordon Lewis nasceu no dia 15 de Junho de 1929 (embora algumas fontes afirmarem que ele nasceu em 1926) na cidade de Pittsburgh, estado da Pennsylvania. Depois de completar seus estudos básicos, Lewis partiu para o curso de jornalismo na universidade de Northwestern, em Evanston, Illinois, chegando até a graduação de mestre para alguns anos depois se tornar um professor de literatura inglesa no colégio estadual do Mississippi.Em mais uma troca de carreira, Lewis foi atraído por deixar seu emprego como professor e se tornar o gerente da radio WRAC na cidade de Racine, em Wiscosin, e logo em seguida passou para diretor de estúdio da WKY-TV, em Oklahoma.
Em 1953 ele finalmente firmou suas raízes em Chicago, onde começou a trabalhar para a agência de publicidade de um amigo, enquanto ensinava em um curso de graduação de publicidade durante a noite na universidade de Roosevelt. Ao mesmo tempo, começou a dirigir informes comerciais para uma empresa chamada Alexander and Associates, que Lewis compraria a metade junto com o sócio Martin Schmidhofer, trocando o nome da firma em seguida para Lewis e Martin Films.

Avançando um pouco para 1960, Lewis decidiu entrar no negócio do cinema, produzindo e dirigindo no mesmo ano o filme "The Prime Time", o qual financiou com dinheiro do próprio bolso. Como o retorno aconteceu, sua próxima produção foi "Living Venus" (1961), que ele próprio dirigiu, inspirado na história de Hugh Hefner e os primeiros anos da revista Playboy. Apesar de muito pouco conhecida, possui duas características marcantes nos próximos trabalhos de H.G. Lewis: a associação com o produtor parceiro e lenda do exploitation, David F. Friedman e os problemas com a censura.
Basicamente "Living Venus" é um exploitation soft-core com muita nudez, mas de um nível que o mainstream de Hollywood não estava acostumado e por isso a produção não pode ser exibida nos grandes cinemas por causa das rígidas leis de censura da época.
Por três anos, Friedman e Lewis se tornaram verdadeiros produtores mercenários para uma série de financiadores e donos de redes de cinema marginal que estavam procurando pessoas que pudessem deixar uma marca no campo do sexploitation. De acordo com Friedman - entre curtas, cenas e longas metragens - eles produziram mais de 30, porém destes apenas sete filmes ainda existem hoje e são reconhecidos como produções Friedman/Lewis. São eles: "The Adventures of Lucky Pierre" (1961), feito com menos de 8 mil dólares; três filmes de campo de nudismo - "Daughter of the Sun" (1962), "Nature's Playmates" (1962), "Goldilocks and the Three Bares" (1963), este último talvez o único musical nudista da história; e três "dramédias" com pornografia soft-core, "Boin-n-g" (1963), "Scum of the Earth" (1963) e "Bell, Bare and Beautiful" (1963). A maioria destas produções foi rodada na Flórida.A partir daí a dupla passou a olhar por um ângulo diferente sobre os filmes nudistas que estava fazendo e - pensando no mercado saturado - veio com a idéia de atrair o público pelas tripas, enfatizando o sangue e a violência, em um mercado que virtualmente nenhum outro produtor havia explorado. Para tanto os dois escreveram um roteiro de 15 páginas, chamaram o projeto de Blood Feast , e com um orçamento de menos de 25 mil dólares começaram as filmagens. A velocidade com que o filme tomou forma foi impressionante: Lewis começou um dia depois do final das filmagens de "Bell, Bare and Beautiful" e foi finalizado sete dias depois. Era o fim da fase sexploitation do diretor e o início da fama de "pai do gore", apesar de Hershell jamais ter pensado que estaria ditando moda no cinema. Lançado em Julho de 1963, a produção seminal foi um sucesso imediato. A despeito do orçamento diminuto, ritmo lento, uma variedade de problemas técnicos e atuações horríveis, Lewis sabia como promover suas obras e a audiência pipocava nos cinemas de bairro e drive-ins, normalmente com a produção fazendo par em sessões duplas com outras bagaceiras do exploitation. Foi banido em várias partes do país pelo nível sem precedentes de violência e as assustadoras (para a época) cenas de assassinato, uma ação que aumentou drasticamente a demanda por produções da mesma espécie. Blood Feast foi lançado no Brasil em VHS pela extinta Sunrise Vídeo com o título BANQUETE DE SANGUE.


Com os lucros deste filme, Lewis e Friedman voltam para a Flórida para rodar o segundo da "trilogia de sangue" do diretor, Two Thousand Maniacs! - lançado nacionalmente em VHS sob o título de MANÍACOS. O roteiro foi inspirado em "Brigadoon", a lenda sobre uma cidade mágica que aparece uma vez por século. Na versão de Lewis/Friedman, a cidade fica no extremo sul dos Estados Unidos, é chamada de Pleasant Valley e aparece a cada 100 anos para fisgar alguns turistas do norte a fim de vingar os assassinatos cometidos pelas tropas da união durante a Guerra Civil.As proporções da produção, apesar de ainda minúsculas, foram substancialmente maiores do que no filme anterior: um orçamento que foi quase o triplo de Blood Feast, um roteiro de 70 páginas e duas semanas de filmagens, além de melhores recursos técnicos. As reações quanto ao lançamento em março de 1964 foram as mesmas: fascinação com a história e repulsa pelo grafismo dos violentos assassinatos mostrados em todos os sórdidos detalhes e, tal como seu antecessor, fez um excelente caixa, sendo o pessoal favorito do próprio diretor.Durante o inverno estadunidense de 1964, Lewis e Friedman fizeram o que seria sua última produção juntos, "Color Me Blood Red" (1965), que conta a história de um pintor que mata a fim de usar o sangue de suas vitimas como tinta para seus quadros. Logo após o término das filmagens, Friedman terminou sua associação com Lewis, dando como motivos problemas com a compensação financeira e conflitos de edição e produção.


Friedman se mandou para Hollywood pouco tempo depois para continuar seu trabalho por lá, deixando Lewis como produtor, roteirista e diretor por conta própria. Como se não fosse suficiente, "Color Me Blood Red" se mostrou uma produção mais reprimida, mais experimental e por isso não foi tão popular e lucrativo quanto os trabalhos anteriores do diretor.Lewis continuou trabalhando e ainda em 1964 lançou o leve e contido "Moonshine Mountain", rodado no estado da Carolina do Norte. No entanto, depois desta produção, a carreira do diretor começou a declinar. Usando os fundos de sua bem sucedida empresa de publicidade em Chicago, Lewis passou a vislumbrar novos mercados e rodou dois filmes infantis nesta época, "Jimmy, the Boy Wonder" (1966) e "The Magic Land of Mother Goose" (1967). Reza a lenda que os negativos foram perdidos e não existe mais nenhuma cópia, mas relatos de críticos na época afirmam que o primeiro é doloroso de assistir e o segundo é completamente descartável.Ainda tentando encontrar uma nova sintonia em sua carreira no cinema, Lewis comprou alguns filmes não finalizados e os re-editou para lançamento. Um deles é o notório "Monster a-Go Go" (1965), uma produção cuja reputação é tão ruim que é ranqueado por alguns lado a lado com as bagaceiras de Edward D. Wood Jr., enquanto o seguinte, "Sin, Suffer and Repent" (1965), saiu direto da linha de montagem dos filmes sensacionalistas do fim dos anos 50: começando como um daqueles filmes educativos sobre doenças venéreas, ele logo se torna uma história tórrida sobre gravidez fora do casamento, completo com uma cena real de parto.

Um dos motivos para a realização desta prática era utilizar estas produções como segundo filme nas sessões duplas da época, fazendo par com os filmes dirigidos por Lewis. Desta maneira, com os direitos pertencendo a mesma pessoa, o diretor não teria problemas na hora do proprietário do cinema repartir os lucros, coisa que era bastante problemática naquele tempo.Um dos maiores filmes de Lewis, orçamentariamente falando, foi rodado durante o final dos anos 60. "A Taste of Blood" (1967) se trata de uma película vampiresca que bebe da veia das clássicas produções britânicas da Hammer. Apesar de tecnicamente melhor que suas primeiras obras e com uma fotografia interessante, este é um filme muito prejudicado pelo excesso do tempo de duração (são quase duas horas), a ausência do estilo que é característico de Lewis, e acaba cansando o espectador um bocado.
Uma abordagem semelhante apareceria em seu próximo filme, "Something Weird" (1967), uma mescla de ficção científica, comédia e horror (mas sem violência explicita) sobre um homem que ganha poderes clarividentes após sofrer um acidente na rede de energia elétrica e tem o rosto deformado. Para recompor sua beleza, ele faz um pacto com uma bruxa feia - que parece bela para as outras pessoas - em troca de amor e vai ajudar a polícia a resolver crimes.Lewis em seguida volta a flertar com o gore extremo em "The Gruesome Twosome" (1967), onde mãe e filho possuem uma loja de perucas e escalpelam jovens garotas de um colégio próximo para conseguir sua matéria-prima. Este é sempre lembrado não apenas pela violência, mas pela péssima atuação do elenco, mesmo considerando que se trata de H. G. Lewis.
Neste período ele também roda três filmes marginais de ação e delinqüência juvenil (cabe dizer, anos antes de A LARANJA MECÂNICA), "Blast-Off Girls" (1967), "She-Devils on Wheels" (1968) e "Just for the Hell of It" (1968). Seus próximos dois filmes são um retorno ao sexploitation soft-core do início da década com "Linda and Abilene" (1969) - notório por ser a última produção a ser rodada no rancho Spahn antes de ser invadido pela família Manson - e "The Ecstasies of Women" (1969), ambos desaparecidos do grande público.Então as coisas começaram a ficar difíceis para o diretor. Em 1969 o cineastas independentes estava cada vez mais e mais soterrado pelo mainstream de Hollywood que começaram a fazer suas próprias produções de ação, drama e horror violento sem restrições da censura. Em 1970, Lewis faz o absurdo e excessivo (e por isso mesmo um dos meus favoritos pessoais) "The Wizard of Gore", sobre um mágico chamado Montag que, digamos, gosta de fazer o truque de serrar mulheres ao meio sem muitos rodeios.

Em seguida dois filmes de drama que se passam nas fazendas do sul dos Estados Unidos: "This Stuff'll Kill Ya!" (1971) e "Year of the Yahoo!" (1972), ambos eram considerados perdidos até serem restaurados pela distribuidora estadunidense "Something Weird" - que lançou quase todos os trabalhos do diretor em DVD e cujo nome é notoriamente inspirado no filme homônimo de Lewis.Outra película perdida do diretor, mas desta vez ainda não encontrado, é o desconhecido blaxploitation erótico "Black Love", de 1972, rodado todo com elenco negro comoum pedido pessoal de um amigo de Lewis em Chicago. Então ainda no mesmo ano, Herschell Gordon Lewis se despede do cinema com o alucinógeno terror "Gore Gore Girls", sobre um serial killer que mata dançarinas exóticas nos clubes mais variados da cidade. Admira-me que Lewis não tenha dirigido este filme com alguma dose de LSD no sangue, pois o ritmo é tão absurdo que parece uma paródia de si mesmo.Após aquele ano, seus dias de exploitation estavam acabados... Lewis se retirou do mercado e voltou de cabeça para sua carreira na publicidade que se mostrou bem mais produtiva (financeiramente falando): Ele escreveu e publicou mais de vinte livros e duzentos artigos sobre o assunto e fundou a Communicomp, especializada em marketing direto com clientes por todo o globo e se tornou uma respeitada autoridade sobre o assunto, respeito que jamais conseguira como diretor independente.

A despeito de ter deixado sua carreira cinematográfica para trás, Lewis sempre quis fazer uma seqüência para o filme pelo qual ficou estigmatizado, "Blood Feast". Depois de 30 anos e um longo processo de produção, seu objetivo foi finalmente alcançado quando o diretor se reuniu novamente com David F. Friedman e foi convidado para a realização de "Blood Feast 2: All U Can Eat" (2002), igualmente divertido, sangrento e caricato quanto suas maiores películas. Mais recentemente o diretor fez duas participações através de pontas nos filmes "Chainsaw Sally" (2004) e "The Gainesville Ripper" (2007).Hoje, Lewis reside em Fort Lauderdale, Florida, encabeçando a Lewis Enterprises, empresa de consultoria e publicidade em mala direta, fazendo seminários pelo mundo todo, todavia nunca se esqueceu ou deixou de arrebanhar seus fãs que não eram vivos na famosa era das grindhouses e drive-ins e que podem conferir seus feitos na época do DVD. Porém mesmo com o reconhecimento tardio de sua renegada carreira, dois projetos seus em desenvolvimento pela produtora Film Ranch International - provisoriamente intitulados "Back in Blood: Revenge of the Gore-Crazed Maniacs" com o retorno dos personagens assassinos famosos de Lewis e "Grim Fairy Tales: Win, Lose or Die" sobre um game show mortal - estão estacionados problemas orçamentários e parece que não há vontade das grandes distribuidoras em fazê-lo retornar para trás das câmeras. Uma pena para o público, contudo mesmo fora de atividade Herschell Gordon Lewis jamais deixará de ser, para sempre, o "Poderoso Chefão do Gore".


CURIOSIDADES:

- Hershell foi casado três vezes e destas relações geraram cinco filhos;

- O diretor fazia quase todas as partes de narração nos seus filmes e trailers, pois Lewis não queria (ou não podia) pagar para um ator fazer isso;

- "Wizard of Gore" é o filme favorito do personagem de Jason Bateman no premiado filme "Juno";

- “Blood Feast” foi o filme mais antigo a ser perseguido pela censura britânica no escândalo dos Vídeo Nasties (Vejam posts seguintes).